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  • Tatiane de Lima

Gestores de Pessoas e Microempreendedores: suas decisões estão sendo reativas ou assertivas?



As incertezas que rondam o mundo todo diante do coronavírus atingem todas as classes de profissionais. Pessoas que ocupam cargos de liderança, empreendedores ou gestores vivem momentos bastante desafiadores: é hora de colocar em prática certas habilidades que somente em cenários de crise descobrimos que temos. Um exemplo prático? Escolher e informar para equipes inteiras que serão dispensadas. Precisar comunicar o desligamento de trabalhadores não é tarefa fácil, afinal, por meio do trabalho mantemos nossa renda familiar. Além disso, é exigido que se consiga pensar, de alguma forma, em como deixar o resto da equipe motivada mesmo com notícias tão negativas. E como fica o estado emocional e produtivo do profissional que está tomando essa decisão ou sendo porta-voz de más notícias?

Nossa geração nunca precisou permanecer isolada por tanto tempo. Também não costumamos assistir a uma mudança no mundo de negócios tão brusca. Vivemos em um sistema de economia que não nos permite parar, refletir e tomar decisões com muito tempo: precisamos ser ágeis e assertivos. E como é possível agir desta forma?

É preciso analisar cada atitude que estamos tomando e nos questionar se estamos sendo reativos ou assertivos. Estou agindo por impulso ou por influência? Estou tomando esta decisão baseada na realidade da minha equipe ou do cenário externo? Se manter calmo e centrado é fundamental para que nossas ações são se tornem alarmistas e acabem contaminando as equipes. Outra sugestão que traz resultados em qualquer cenário é a troca constante de informação entre gestores e funcionários: seja transparente em todos os momentos. Faça feedbacks semanais. Permita-se mostrar vulnerável, lembre a todos que você também é humano e que suas ações podem ser corrigidas caso estiverem erradas. O mundo não está acabando, e sim, mudando. E cabe aos líderes e profissionais de gestão segurar as rédeas e olhar dentro de uma lupa de verdade, transparência e assertividade.

Importante ressaltar que a mudança mais eminente que estamos vendo nesse momento é a perda de controle. Isso porque antes nossas equipes eram acompanhadas diariamente em um espaço proposto pela empresa, seja dentro escritório ou de uma fábrica. Agora, em muitos casos, a casa do trabalhador, seu espaço produtivo e os antigos métodos de acompanhamento de produtividade também estão mudando. Essa perda de controle também pode causar certas inseguranças, mas é bom lembrar que a tão sonhada liberdade bateu na nossa porta e agora, mais que nunca, podemos achar formas usar isto a nosso favor. Assim, é possível refletir que algumas mudanças que chegam por meio da pandemia podem sim ser positivas.

Compreender que esse momento carrega uma espécie de luto ao profissional de gestão de pessoas parece ser um dos caminhos. Assim, nos damos conta de que algumas fases estão sendo vivenciadas por profissionais da área. Exemplos destas etapas: a dor de perdas de colegas, novas formas de gerir, negação de novas ementas trabalhistas, lidar com raiva ao usar o expediente inteiro a máscara, precisar negociar com trabalhadores novos horários e salários, receber pressão por parte dos sindicatos, e especialmente, aceitar que o cenário é difícil, incerto e que todos somos vulneráveis.

É interessante pensar que podemos desenvolver a criatividade e pensar em soluções bastante simples e baratas para manter nossas equipes motivadas. Muitas vezes, são ações que a empresa já vinha fazendo como por exemplo: se você costuma fazer feriados, mantenha.

Se a empresa comemorava os aniversários da equipe, siga comemorando. Se você costumava a dar café da manhã aos trabalhadores, por que não enviar para seu grupo de risco que está afastado um café da manhã? Ainda podemos fazer a cultura da empresa ser vivida pelos funcionários, basta usarmos nossa caixa de ferramentas interna.

Tatiane de Lima

Diretora da Assert.e. Gestão de Pessoas, psicóloga há quase uma década, especialista em Gestão de Pessoas e Mestranda em Psicologia dos Riscos e Intervenções Psicossociais. Também é professora universitária.

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